Nos dias 18 e 19 de agosto de 2026 os professores Yussef Daibert Salomão de Campos e Vitor Hugo Abranche de Oliveira coordenaram o Simpósio Temático de História e Psicanálise na Associação Nacional de História (ANPUH - GO).
Profícua instigadora da História desde sua criação na virada do séc. XIX para o séc. XX, a Psicanálise abre uma miríade de possibilidades de pesquisa para os historiadores. Sua incidência alcança temas caros para a História como a historiografia, a concepção temporal, as mitologias e teogonias, as religiões, as biografias, as análises das massas, dos simbolismos, dos patrimônios materiais e imateriais, a concepção de moral e de ética ou mesmo o conceito de arte e sublimação. Após a abertura promovida pelos Annales, a História viu-se instigada a buscar em outros métodos e em outras fontes novas possibilidades de compreensão do homem no tempo. Concomitante ao movimento francês, a Psicanálise surgia na Áustria trazendo uma nova concepção de ser-humano. Não mais um indivíduo cartesiano – ávido de alcançar um ideal racional –, mas um sujeito implicado pelo inconsciente, pelas relações parentais, pela moral sexual civilizada e adoecedora e, principalmente, pelo peso de um passado que, se não é lembrado conscientemente, é repetido compulsivamente (tanto a nível individual como coletivo). Historiadores de graduação e pós-graduação vêm aprofundando suas pesquisas ao lançar mão de autores como Freud, Sabina Spielrein, Adorno, Benjamin, Norbert Elias, Lacan, Frantz Fanon; pensadores que extrapolaram os limites da clínica para pensar a sociedade a partir do advento do inconsciente. Por outro lado, historiadores importantes como Ricœur, Certeau, Peter Gay, Elizabeth Roudinesco, ajudaram a abrir flancos na ciência historiográfica, auxiliando na sedimentação desse campo de intersecção. Na expectativa, pois, de receber trabalhos de teor histórico-psicanalítico, o presente ST propõe promover e aprofundar as interações científicas entre os campos de História e Psicanálise.
Foram
apresentados os seguintes trabalhos:
Psicanálise,
memória e ressentimento: um estudo sobre Oscar Cordeiro e as recordações da
campanha pró-petróleo (1944-1965)
por Daniel Alencar de Carvalho;
Sintomas
contemporâneos como performances da historicidade: diálogos entre História do
Contemporâneo e Psicanálise
por Eduardo José Reinato;
A
Insuficiência da Automatização: Inteligência Artificial, Silêncio e Transcriação
em História Oral por
Felipe Urcino da Silva;
Memória
e metodologia na pesquisa sobre educação popular com crianças e adolescentes no
cristianismo da libertação
por Klaus Paz de Albuquerque;
Arquivos
do Desvio: Memória e Táticas de Resistência no Sanatório em Palmelo (1970-2000) por Arthêmio de Carvalho Rodrigues;
Memórias
e traumas dos refugiados cabindenses: experiências nos centros de acolhimento
da República Democrática do Congo (1975-1995) por Sara Piula Pemba Filipe;
Entre
silêncios, memórias e resistências: perspectivas decoloniais sobre o
protagonismo Iny-Karajá em Goiás (1964–2024) por Maria Eduarda Oliveira;
Do
Cinco de Março ao Diário da Manhã: a “memória orgulhosa” da resistência à
Ditadura Militar
por Natane Rincon Azevedo;
Sobre
o projeto “História da Psicanálise em Goiânia” por Yussef Daibert Salomão de
Campos e
Estudo
sobre o riso em Hugo e Freud
por Vitor Hugo Abranche de Oliveira.